Como escolher o cão certo para nós?

03/06/2018

Ao contrário do que pode parecer a primeira vista, a escolha de um cachorro não deve ser uma tarefa irreflectida. Cada raça tem as suas características específicas e necessidades inerentes que não devem ser negligenciadas na hora de escolher um companheiro para a vida.

Desta forma, neste artigo pretendemos dar algumas dicas para que essa escolha seja o mais racional e organizada possível, de forma a evitar futuras complicações.

Em Portugal o número de abandonos de animais de companhia (cães e gatos) rondou os 42 mil no ano 2017. Um dos motivos que esta na origem deste número deve-se ao facto de que muitas das vezes, aquando da escolha de um companheiro, a aparência fofa e querida de um cachorro bebe se sobrepõe a consciência das características e necessidades da raça. Ou seja, enquanto bebes todos os cachorritos são bonitos, fofinhos e quase tudo lhes e permitido. No entanto quando crescem, aquele bebe que era tao fofo passa a ter exigências que podem não se enquadrar no perfil ou estilo de vida dos tutores.

Por isso mesmo vamos aqui deixar alguns conselhos e perguntas que se devem colocar aquando da escolha de um companheiro de quatros patas.


A primeira pergunta é: tenho condições monetárias e disponibilidade para assumir este compromisso para os próximos 10-15 anos?

A esperança média de vida de um cão ronda os 10-15 anos dependo da raça. Por esta razão é importante saber que ao se adotar um cachorro, este ira depender de nos durante esse período de tempo, encarando-nos como parte da sua matilha humana e deve ele também ser encarado como parte integrante da nossa família.

Nesse sentido é importante ter consciência de que este necessitara eventualmente de cuidados médicos, consultas regulares ao veterinário, vacinas, desparasitações, ração, brinquedos, etc. Por isso existe uma parte do orçamento familiar mensal que deve ser tida em conta para os nossos amiguinhos.

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A segunda pergunta é: quais as necessidades especificas da raça que quero?

Cada raça é uma raça e cada raça tem as suas necessidades específicas no que diz respeito a estimulação física e mental. Por este motivo, na hora de escolher uma raça deve ter em conta o seu próprio estilo de vida. Se é uma pessoa com disponibilidade de tempo para dedicar ao seu amigo de quatro patas ou não, sabendo que há raças que são mais exigentes que outras neste especto.

Por exemplo, os dálmatas são uma raça que necessita de bastante exercício físico, uma vez que desde sempre estiveram habituados a percorrer grandes distancias como guardas de carroças. Nesse sentido necessitam de dar grandes passeios, se possível em florestas, de forma a dispensarem a sua grande energia.

Por outro lado, cães de raças como o buldogue são cães mais tranquilos e que também devido à sua constituição física (braquicéfalos) são cães mais recatados. No entanto, todos necessitam de estimulação mental (vejam o artigo de jogos sobre estimulação mental). Podem encontrar mais informações sobre as diferentes raças na secção raças de A biblioteca do cão (www.abibliotecadocao.com/racas/).

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A terceira pergunta é: devo escolher um cão de raça ou um rafeiro?

Para alem de existirem atualmente mais de 200 raças reconhecidas pelo Federation Cynologique International (FCI) não nos podemos esquecer dos diversos cruzamentos de raças e os rafeiros, o que nos da um quase infinito numero de "tipos de cães" a nossa disposição.

Na altura de escolher existem diversos fatores a ter em conta, sabendo que existem vantagens e desvantagens de ambos os lados.

Uma das principais vantagens ao escolher um cão de raça é o facto de podermos à partida ter uma certa previsibilidade quanto as características do cão, tanto físicas (tamanho, tipo de pelo, energia, saúde, etc) como psicológicas (caracter, tenacidade, etc).

Quando existe um cruzamento de raças essa previsibilidade é um pouco mais reduzida devido as características distintas das raças cruzadas.

No caso de um rafeiro, a previsibilidade é bastante reduzida. Embora por vezes seja possível lhes reconhecer traços característicos de alguma raça, esses traços nem sempre são acentuados. Um dos fatores que joga a favor dos rafeiros, ou cães sem raça definida, tem que ver com a saúde. Devido a existir nos rafeiros uma maior diversidade genética, com frequência estes são indivíduos mais saudáveis e resistentes.

Alem destes fatores podem existir outros fatores ou exigências específicas que nos podem levar a adotar um cão de raça em detrimento de um cão rafeiro.

A quarta pergunta é: qual a idade do cachorro adequado ao nosso caso?

A idade é um fator bastante importante a ter em conta. As necessidades do cão variam, tal como nos humanos, conforme a sua idade. Se é verdade que os cachorros jovens são por natureza mais curiosos e ansiosos de aprender e descobrir novas coisas, sempre despertos para novas descobertas, também é verdade que os cães adultos são mais tranquilos e tem uma atitude mais "ponderada" perante as situações e os estímulos com os quais se deparam.

Desta forma, é fácil compreender que um cachorro jovem necessite de bastante disponibilidade por parte do seu tutor para o seu treino e educação, o que por um lado e bastante divertido, mas por outro lado é também um pouco trabalhoso.

Um cão adulto já poderá ainda ter algumas noções de educação e sociabilização, e por ser mais calmo poderá ser uma boa escolha como primeiro cão para alguém que ainda não tem experiencia com cães. Por outro lado, por vezes um cão adulto poderá ainda trazer consigo alguns traumas que terão que ser cuidadosamente acautelados pelo tutor, e que requerem trabalho e dedicação extra por parte do mesmo.

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A quinta pergunta é: devo escolher um macho ou uma fêmea?

Esta questão também é bastante discutível, havendo diversos defensores dos dois lados. Embora neste caso a decisão varie muito com as preferências pessoais de cada um, sem que hajam indicações claras daquilo que varia em cada caso.

Existem defensores que dizem que as fêmeas são mais fáceis de treinar e tendem a ser mais carinhosas enquanto outros dizem que os machos são mais assertivos e confiantes mas mais difíceis de treinar.

Não há uma resposta simples e tem que ter em atenção que muito do carácter e comportamento do seu cão derivará da sua personalidade individual e do tempo que dedicara a treiná-lo e a sociabilizá-lo.


A sexta pergunta é: devo procurar um criador ou fazer a adoção através de um canil?

Esta questão é uma das mais debatidas aquando da escolha de um companheiro de quatro patas. Existem diversos defensores das adoções de cachorros que estão em canis, de forma a combater o abandono e a dar uma nova vida a estes animais. Mas também existem outros que defendem precisamente o oposto. Como em quase tudo na vida, é necessário ponderar os pros e contras de cada um dos casos e ver qual deles se adapta mais ao nosso estilo de vida.

Os cães que são provenientes de criadores (e deve ser verificado a certificação e as condições do criador) em princípio chegam-nos como uma tela em branco, tendo sido bem alimentados, bem-educados pela sua progenitora e elementos da mesma espécie, etc. A juventude é um período importantíssimo na vida de um cão, podendo definir muito da sua personalidade futura. Neste caso os cães não apresentam a partida traumas específicos e são sujeitos mais confiantes.

Por outro lado, os cachorros provenientes de canis podem em muitos casos chegar-nos com traumas devido às suas experiencias anteriores, por exemplo abandono, maus tratos, fome, etc.

Embora possa ser bastante recompensador adotar um cão de um canil, oferecendo-lhe uma nova família e uma nova vida, é necessário ter em conta que cada cão tem a sua história e o tutor deve saber adaptar-se e disponibilizar-lhe tempo de forma a educar o cão e a combater eventuais traumas

Caso opte por adotar um cão de um canil, antes de o levar para sua casa passe algum tempo com ele para que ambos se possam habituar progressivamente a esta nova etapa e para se assegurar que não se esta a equivocar na escolha.

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A sétima e última pergunta é: este é o meu primeiro cão?

A resposta a esta pergunta é bastante importante, especialmente se não for o primeiro cão.

Ponha-se na pele do seu cão, que vive consigo há diversos anos e que é "o senhor da casa", tendo todas as atenções e mimos só para si. De um momento para outro, outro cão aparece no seu território, a brincar com o seu humano, a comer a sua comida... Como se sentiria?

Para evitar experiencias desagradáveis, no caso de já ter um cão, o que deve fazer é uma introdução gradual do novo elemento para que o seu cão se possa habituar aos poucos e para que juntos venham a ser inseparáveis.

Uma das coisas recomendadas é preparar um encontro entro o seu cão e o cão que vira a ser o novo elemento da família em terreno neutro, para que estes se possam conhecer tranquilamente, sem existir nenhum tipo de dominância territorial. Nessa altura o seu cão devera estar relaxado, tendo feito anteriormente o seu exercício diário para que possa ser mais paciente com o novo elemento.

Os dois cães não deverão ter caracteres muito opostos, ou seja, um bastante calmo e outro bastante energético, isso pode resultar em problemas entre os dois. Normalmente as afinidades são facilmente visíveis, só tem que as respeitar.


Em suma, aquando da escolha de um amigo de quatro patas deve ter estes fatores em consideração, de forma a se gerar uma experiencia agradável para ambos e a evitar os abandonos. E também importante saber que os cães são muito adaptáveis e sendo-lhes proporcionado atenção e exercício físico estes acabam por se adaptar ao estilo de vida dos tutores.

Pense bem na altura de escolher um amigo de quatro patas, é uma amizade muito enriquecedora e sobretudo e uma relação para a vida.