Desamparo aprendido

27/11/2020

O desamparo aprendido foi primeiramente descrito na década de 70 pelo psicólogo americano Martin Seligman e não é nada mais nada menos do que uma resposta de resignação de um animal perante um determinado estimulo aversivo, refletindo um sentimento de impotência perante esse mesmo estimulo.

A descrição do desamparo aprendido foi resultado das experiências feitas por Seligman em torno do condicionamento clássico. Nas suas experiências Seligman começou por amarrar um cão, não lhe dando hipóteses de fuga e tocar um sino antes de dar um choque ao cão. Com as várias repetições Seligman observou que o cão começava a reagir ao choque assim que ouvia o sino.

Até aqui tudo bem, um típico exemplo de condicionamento clássico, ou seja, e muito sucintamente, perante um determinado estimulo o cão apresentava uma reação.

Contudo Seligman decidiu prosseguir a sua experiência colocando cada cão numa crate grande dividida ao meio por uma pequena separação em que o cão poderia facilmente transpô-la em caso de necessidade. De um dos lados, a crate estava eletrificada e do outro lado da vedação não.

Ao contrário do que seria esperado (saltar a vedação para o lado seguro), o cão ao sentir o choque não saltou a vedação como forma de fugir do estímulo aversivo, mas deitou-se no chão do lado da crate que estava eletrificada.

Seligman descreveu este comportamento como desamparo aprendido, ou seja, a não tentativa do cão de sair de uma situação negativa devido às suas experiências anteriores que lhe mostraram que não haveria escapatória.

Este comportamento é frequentemente observado em cães que estiveram muito tempo abandonados, cães que foram vítimas de maus tratos prolongados e em cães submetidos a metodologias de treino aversivas.

Superar esta condição é algo bastante complicado no entanto é possível melhorar o estado mental do cão. Acompanhado por treinadores, comportamentalistas caninos e veterinários, pode ser elaborado um plano de recuperação psicológica a longo prazo assente no reforço positivo e no ganho progressivo de confiança, motivação e autoestima por parte do cão.

Referências: