Lagarta do pinheiro - um perigo em procissão

25/03/2018

A "Thaumetophoea Pityocampa", também conhecida como a lagarta processionária ou vulgarmente chamada de lagarta do pinheiro ou ainda quaresmas é uma lagarta que se encontra cada vez mais disseminada no nosso país, nomeadamente nos pinheiros e daí a origem do seu nome popular.

Estas lagartas "atacam" preferencialmente o pinheiro bravo, o silvestre, o larício, o manso, o pinheiro de Alepo assim como Cedros Atlântica, Cedros Denodara e Cedros do Líbano e tem um impacto extremamente negativo nestas árvores, enfraquecendo-as, nos animais e humanos podendo leva-los à morte.

Figura 1: A: Pinheiro Manso; B: Pinheiro Bravo; C: Pinheiro de Alepo; D: Cedro Atlântica;

E: Cedro de Líbano; F: Cedro de Denodar.

Segundo a Direção Geral de Saúde (DGS), nos últimos anos, esta espécie tem vindo a aumentar muito por culpa das condições climáticas (aumento das temperaturas).

As lagartas do pinheiro são constituídas por oito recetáculos com cerca de 100.000 pêlos urticantes. Quando se deslocam as lagartas abrem estes recetáculos libertando assim milhares de pelos que funcionam como uma espécie de micro-agulhas que em contacto com a pele ou mucosas injetam uma substancia toxica, que quer num humano quer num animal pode desencadear uma reação alérgica ou de hipersensibilidade, podendo provocar a necrose do membro e até mesmo ser fatais.

Figura 2: Lagarta do pinheiro.

A reação alérgica originada pelo contacto com os pêlos da lagarta do pinheiro, embora bastante perigosa depende também da sensibilidade do individuo vitima dessa picada, podendo haver indivíduos mais ou menos sensíveis, com uma reação alérgica mais ou menos exuberante. Nos cães esta picada pode ser fatal senão for socorrida com urgência.

O desencadear dessa reação alérgica pode mostrar diversos sintomas, sendo os mais frequentes segundo o Centro de Dermatologia Epidermis do Instituto CUF do Porto as irritações cutâneas e oculares, dificuldades respiratórias e até vertigens. No entanto outros podem ser observados:

  • Aumento de volume da língua (órgão mais afetado) que pode também ficar azulada e que se não houver uma intervenção rápida e adequada pode até criar áreas de necrose;
  • Edema da face (focinho inchado);
  • Salivação excessiva;
  • Dificuldade em deglutir;
  • Dificuldades em respirar devido a obstrução das vias áreas;
  • Prurido (comichão) intenso na face;
  • Vómito;
  • Apatia;
  • Falta de apetite;
  • Dificuldade na preensão dos alimentos.

Figura 3: Cães picados por lagarta do pinheiro (www.hospvetprincipal.pt).

O que pode fazer no caso o seu amigo de quatro patas seja picado?

É difícil saber se o seu amigo foi picado antes de começarem a aparecer os primeiros sintomas, como comichões intensas e os inchaços como descrito anteriormente.

A única coisa que pode fazer é correr rapidamente para o veterinário. É recomendado que ligue antes de chegar para a linha de emergência do seu veterinário para os deixar de pré-aviso e para que assim que chegue tudo estar a postos para atender o seu cãozinho. No caso de estar longe do veterinário o que pode fazer para ajudar o seu amigo é lavar abundantemente com água e tentar que este não sufoque com ao inchar da sua língua.

No caso de o seu amigo estar utilizando algum tipo de roupinha, arnês, coleira ou outro adereço deve lava-los a altas temperaturas (acima de 60ºC) de forma a prevenir que voltar a usar esse mesmo adereço o cão possa voltar a ser picado. A proteína presente nos pêlos urticantes responsáveis pela alergia, a taumatopoína, apenas se desnatura a altas temperaturas neutralizando assim o perigo ao entrar em contacto com a pele.

O ciclo de vida da lagarta do pinheiro

Como todos os insetos o ciclo de desenvolvimento da lagarta do pinheiro passa por diferentes fases durante o ano:

  • Ovo;
  • Lagarta;
  • Pupa ou crisálida (casulo);
  • Inseto adulto (borboleta).
Estas fases podem ser agrupadas em duas fases principais, a fase adulta (também conhecida como fase aérea uma vez que como ovos e lagartas estes insetos vivem nas copas dos pinheiros) e a fase de pupa ou crisálida (ou também conhecida como fase subterrânea uma vez que corresponde à fase do seu desenvolvimento onde o inseto se encontra enterrado no solo e pode durar até 3 anos).

Figura 4: Ciclo de vida da lagarta do pinheiro (www.cm-vfxira.pt)

Igualmente, se olharmos para o seu ciclo de desenvolvimento, podemos dividi-lo em três períodos, o período de inverno (entre Outubro e Dezembro) e o período da primavera (entre Janeiro e Maio) e o período de verão (entre Agosto e Setembro).

Neste período as lagartas constroem os seus ninhos definitivos para se protegerem do Inverno e das baixas temperaturas e passam em seguida do terceiro para o quinto estágio de evolução que corresponde ao aparecimento dos pêlos urticantes. Com o ninho construído estas passam grande parte do dia dentro deste, que funciona como um acumulador térmico, aproveitando o período noturno para se alimentarem.

Figura 5: Ninho da lagarta do pinheiro.

Durante o período da Primavera as lagartas atingem o quinto estágio do seu desenvolvimento onde são completamente desenvolvidas abandonando assim o ninho e dirigindo-se em forma de procissão para o solo para se enterraram uma após a outra e dai darem origem a uma crisálida. Estima-se uma que a profundidade a que se enterram esteja entre os 5 e 20 cm. Esta crisálida permite ao inseto de chegar ao estado adulto durante o verão completando assim o ciclo.

Durante o período de verão, as lagartas nascem e começam a agrupar-se em ninhos provisórios na copa dos pinheiros para recomeçar uma vez mais o seu ciclo.

Formas de contenção e medidas de segurança:

Durante o verão podem ser realizadas medidas de contenção e segurança em relação ao desenvolvimento destes insetos. A DGAV propõe que nesta altura sejam realizados alguns tratamentos químicos segundo a lei 26/2013, de 11 de Abril que podem aceder através do site seguinte:

https://www.dgv.min-agricultura.pt/portal/page/portal/DGV/genericos?generico=3665981&cboui=3665981)


A outra opção passa por conter a procissão da lagarta. Para tal pode-se colocar uma espécie de recipiente com água ou cola em torno do tronco da árvore. Desta forma quando a lagarta desce acaba por ficar retida na água e acaba por morrer afogada. Na versão com cola, a lagarta fica colada acabando por morrer.

Figura 6: Técnicas de prevenção (A: https://www.agroquimica.es; B: www.ouest-france.fr/).

Quando a lagarta já se encontra no solo o melhor a fazer é junta-las e queima-las, mas é preciso ter atenção para evitar a projeção de pêlos. Para além disso, se conseguir identificar o local onde estas se enterraram, normalmente perto das árvores e onde existam alguma exposição solar, pode cavar o solo de forma a destruir as crisalidas.

Em relação aos ninhos, estes devem ser retirados e queimados. Neste processo é necessário ter atenção aos vapores provenientes da combustão do ninho uma vez que esses vapores também são tóxicos.

Em resumo:

A lagarta do pinheiro representa diversos perigos para a saúde pública e nomeadamente para os nossos amigos de quatro patas. A melhor estratégia é a prevenção, por isso, na altura do ano mais critica, aquando das procissões, o melhor é evitar os locais de risco potencial como por exemplo florestas compostas por pinhal.

Vejam o nosso vídeo:

Referências: