Reactividade canina

14/04/2018

Muitas pessoas associam reactividade a agressividade, o que não está necessariamente correcto, pois os cães podem ser reactivos e não agressivos; eles apenas não sabem como lidar com um determinado estímulo e "explodem". Embora não reactividade e agressividade, se não tratada/ corrigida a reactividade pode levar a agressão.

A reactividade pode ser manifestada perante diversos estímulos, nomeadamente à presença de pessoas, cães, outros animais, etc. O primeiro passo para resolver a reactividade em cães é entender o que é, e o porque de se manifestar.

Muitas vezes a reactividade está associada a cães inseguros, excesso de excitação, falta de socialização ou que não foram corretamente sociabilizados (sociabilização processo de ensinar a ser sociável) tanto a pessoas como a outros animais, cães com falta de estimulação física e mental, e más experiências passadas.

Em regra, a reactividade revela-se com o ladrar frenético direcionado a outros animais e (ou) pessoas e (ou) outros estímulos externos, uma postura corporal tensa, corpo arqueado, pelo eriçado, respiração acelerada, etc. Neste estado é muito importante não punir o cão, pois isso só aumentará a sua excitação e, em última instância, poderá piorar o problema. Em vez disso, trabalhe com o seu cão para ensinar-lhe novas formas de comunicar a sua excitação, frustração ou ansiedade, ajudá-lo a aprender a lidar com os desencadeastes.

Aos primeiros sinais de reactividade do cachorro o tutor deve manter a calma e redirecionar a atenção do cachorro para si e recompensa-lo. Desta forma o cachorro começa a associar gradualmente o factor desencadeador da reactividade como algo positivo. Vejamos os passos resumidos:

  • Manter alguma distância da pessoa ou cão, e focar a atenção do cão no tutor quando isso acontece o cão é reforçado, com comida ou brinquedo (consoante aquilo que é mais valioso para o cão).
  • Ir fazendo pequenas aproximações á fonte desencadeadora da reactividade, sempre ao tempo do cão. Voltar atrás no treino sempre que necessário.
  • Sempre que o cão é colocado perante a situação de desconforto e reage voluntariamente de forma positiva (fica calmo, evita o confronto, não reage de forma incorreta) o cão é reforçado e retirado da situação.
  • Com o passar do tempo o comportamento começa a ser assimilado.
  • Não esquecer que nunca devemos punir o cão.

Vejamos por exemplo na figura seguinte um exemplo pratico de como proceder por exemplo ao aparecimento de um estímulo (outro cão) aquando da caminhada diária com o vosso amigo de quatro patas:

Figura 1: Processo de dissuasão de reactividade em U (https://drsophiayin.com)

Como se pode ver nesta imagem, o tutor ao ver que se aproxima outro tutor com o seu cão o que faz é chamar a atenção do seu cão para si e em seguida fazer com que este dê costas ao estímulo e se centre unicamente na interação com o seu tutor. Uma vez o estimulo passado o tutor continua o seu caminho normalmente.

Outra possibilidade é apresentada na imagem seguinte:

Figura 2: Processo de dissuasão de reactividade em L (https://drsophiayin.com)

No caso da figura 2 o processo é igual ao anterior, a única diferença reside na forma como o cão se posiciona em relação ao estímulo. Neste caso o cão não dá completamente constas ao estímulo. Este passo deve ser proposto quando o anterior já estiver consolidado.

Depois das duas possibilidades anteriormente apresentadas, a terceira reside a um posicionamento frontal relativamente ao estímulo que se aproxima (figura 3). Neste caso o tutor posiciona-se em frente ao seu cão enquanto este se encontra de frente para o estímulo. Mais uma vez o tutor chamará a atenção para si enquanto o estímulo passa e segue em seguida o seu caminho.

Figura 3: Processo de dissuasão de reactividade em G (https://drsophiayin.com)

O tratamento da reactividade é um processo muito gradual e que deve ser encarado pelo tutor com bastante tranquilidade e paciência sabendo que apenas se poderá avançar nesse mesmo processo ao ritmo do cão, ou seja, quando este seja capaz de lidar com a situação desencadeante.

Referências: