Tártaro canino

07/04/2018

Tal como acontece connosco humanos, os cães podem também sofrer de problemas na dentição, nomeadamente de formação de tártaro. Tal como na boca dos humanos, na boca dos cães acumulam-se restos de alimentos e bactérias ao longo do dia que pode provocar mau hálito mas acima de tudo problemas graves de saúde. O tártaro é uma das consequências desse acumular de bactérias e nomeadamente da falta de higiene oral do seu cão.

O que é o tártaro?

Tártaro ou cálculo dentário como é chamado entre a comunidade veterinária é na realidade o resultado do acumular de restos de alimentos, sais minerais e bactérias. Estes, começam pela formação da placa bacteriana e depois, devido à calcificação desta placa bacteriana e a não higienização oral evoluído para tártaro. O tártaro acumula-se primeiramente junto as gengivas, estendendo-se em seguida ao resto dos dentes se não for combatido.

Figura 1: Tártaro canino (canilredogs.wordpress.com)

Quais os problemas que pode advir da formação de tártaro?

O tártaro pode originar diversos problemas, começando nomeadamente por problemas na boca mas que podem, evidentemente, estender-se a outros órgãos. O primeiro problema esta relacionado com o mau hálito, sendo por vezes bastante intenso.

O segundo, e bem mais grave, é a formação de uma gengivite. Neste caso as gengivas tornam-se avermelhadas como sinal da inflamação e a sua sensibilidade aumenta. De seguida, se não for tratada, a gengivite pode dar origem à retração gengival podendo até mesmo chegar a deixar a raiz do dente exposta. Este facto pode levar à perda parcial ou total da dentição conforme a área afetada.

Figura 2: Doença periodontal (dentalpiravet.blogspot.fr)

Em casos mais graves esta infeção pode dar origem à criação de abcessos que podem-se espalhar e em alguns casos chegar mesmo a olhos ou nariz, levando ainda, nos casos mais extremos a meningites, bronquites e até à possibilidade de problemas cardíacos, renais, intestinais e hepáticos.

Quais as raças mais propensas a desenvolver problemas de tártaro?

Existem duas características que podem favorecer a formação de tártaro em cães, dentes pequenos e dentes muito juntos uns dos outros. Por isso, raças pequenas, que apresentam dentes muito pequenos e que normalmente tem uma qualidade de esmalte mais pobre, são dos principais afetados. Por outro lado, cães braquicefálicos, como o Pequinês ou o Boxer, devido ao seu focinho achatado tem dentes muito juntos e então a limpeza é complicada e pode por isso originar mais facilmente a formação de tártaro. Além disso, e no geral, os cães com mais de cinco anos são mais propensos à formação de tártaro.

Figura 3: Exemplo de duas raças braquicefálicas propensas a desenvolver problemas de tártaro.

Como prevenir a formação do tártaro?

A formação do tártaro pode ser prevenida se os tutores tiverem alguns cuidados frequentes de higiene oral do seu companheiro de quatro patas. A primeira é evidentemente a escovação regular dos dentes, no mínimo 3 vezes por semana com um dentífrico apropriado para cães. O dentífricos humanos contem substancias que podem ser nocivas para os animais e por isso nunca devem ser usadas.

Figura 4: Escovação diária dos dentes (www.naturalistotalalimentos.com.br).

Para além das escovagens, o tutor pode ainda utilizar concentrados de enzimas que podem ser misturadas com a comida. Existem diversas marcas comerciais como por exemplo: Plaque-Off, Creme Dental Virbac, Periovet Spray Vetnil, Good Care, etc...A outra opção passa também pela utilização de snacks com formas irregulares que permitem ao cão, durante a mastigação de fazer ao mesmo tempo um desgaste/ abrasão do tártaro devido a fricção dos dentes no snack, ajudando assim a eliminar o tártaro superficial dos dentes.

Outra forma de prevenção é a utilização de brinquedos como por exemplo as cordas. As cordas são compostas por várias fibras que ao serem mordidas fazem uma abrasão da placa bacteriana contribuído para a limpeza do dente e evitando assim a formação do tártaro. As bolas, embora possam existir algumas como geometrias variáveis em regra não são tao eficazes como as cordas.

Para além destas, a ração pode também ter um importante papel na prevenção do tártaro. O tamanho dos grãos da ração, dos croquetes, se forem adequado ao tamanho da boca do cão ajudam a evitar a formação do tártaro devido ao desgaste durante a mastigação. No entanto a escovagem nunca deve ser esquecida.

Como limpar o tártaro já formado?

Existe dois tipos de limpeza do tártaro. A primeira corresponde a uma limpeza contínua, dita de prevenção de forma a evitar que o tártaro se fixe nos dentes. Esta limpeza corresponde à higiene oral diária descrita anteriormente.

O segundo tipo de limpeza, onde o caso é mais grave e não é possível a remoção do tártaro apenas com a escovação, corresponde a uma intervenção de um profissional de saúde canina, o veterinário, de forma a realizar uma destartarizacão e prevenir assim a doença periodontal através de uma intervenção cirúrgica.

Neste caso, o cão deverá ser submetido a uma anestesia geral para que o veterinário possa ter acesso a toda a boca do cão sem restrições e assim consiga extrair o tártaro das áreas dos dentes que estão também cobertas pelas gengivas. Em contrapartida, esta segunda opção não é aconselhada a cães mais idosos ou que apresentem condições débeis de saúde devido aos riscos associados à anestesia geral.

Figura 6: Antes e depois da limpeza dentaria (www.centroveterinariobarao.com.br)

Durante o processo de limpeza através da cirurgia, no caso de doença periodontal, é possível a de perda de dentes. Esta perda de dentes não acontece devido a um processo invasivo mas sim porque os dentes já não se encontram ligados por eles mesmos à gengiva. O excesso de tártaro funciona como ligação entre o dente e a gengiva e ao ser retirado quebra essa ligação e o dente, que já deveria ter caído acaba por cair nessa altura.

Sinais da necessidade de intervenção de limpeza medica:

Existem sinais visuais claros da necessidade da remoção do tártaro por porte de um veterinário, mas também outros que podem indicar uma necessidade de intervenção como por exemplo:

  • Excesso de coceira ou comichão no focinho/boca sem que nada visível indique uma possível fonte de incomodo;
  • Mau hálito excessivo;
  • Perda de apetite ou alteração da forma de mastigar;
  • Salivação abundante;
  • Perda de dentes sem dar conta;
  • Depressão: falta de vontade de passear, brincar, comer, etc.
  • Má qualidade dos dentes;
  • Tártaro ao longo da borda da gengiva;
  • Gengivas inflamadas, vermelhas e a sangrar;
  • Altos ou pólipos dentro da boca.

Em resumo, a saúde oral do vosso amigo de quatro patas é bastante importante para o seu bem-estar e para uma vida saudável. Por essa razão, esteja sempre atento e escove regularmente os dentes do seu amigo.

Referências